Recebo muitos discos de bandas novas, artistas novos, cantoras, e tento ouvi-los. Muitas vezes passo pelos discos rápido e se nada me encanta nos primeiros minutos de cada faixa, depois da terceira passo pro próximo disco. Isso soa cada vez mais antiquado, mas ainda é uma realidade.
Estava no meu estúdio onde havia uma pilha de uns 12 discos, nenhum eu conhecia, fui correndo até eles à procura de algo e nada. Lá pelo oitavo eu botei o primeiro disco do Góes, "Sol no escuro". Quando começou aquilo me pegou: a composição, o arranjo, o som de tudo, a letra, o tom íntimo. Ouvi o disco inteiro umas 3 vezes, levei pra casa e ouvi mais.
No dia seguinte tentei saber quem era ele. Liguei pra algumas pessoas tentando saber quem tinha me mandado o disco. Achei um contato, consegui o telefone do Góes, liguei pra ele. Disse tudo o que achei do disco e o parabenizei. Falei que queria conhecê-lo quando fosse a São Paulo. Meses depois nos encontramos e ficamos amigos. Provavelmente já havia uma consonância.
Um dia, o Góes me ligou convidando pra participar do disco novo dele, tocar baixo. Fui emocionado de poder participar e, chegando lá, ouvi um disco que é um passo adiante daquele primeiro que já é tão maduro. Quando a música entrou tive que disfarçar o choro, me senti representado naquele momento da vida pelos versos do "Amor na Lanterna".
É intrigante o efeito de uma grande canção. A possibilidade de te pegar de surpresa e acabar contigo é algo que sempre me intrigou. O que, afinal, faz uma música ter o poder de te transportar mentalmente a uma viagem interna, fazer você senti-la sua?
Eu não sei a resposta, continuo procurando, mas acho que o Góes sabe ou pelo menos intui.
Rio de Janeiro, 16 de março de 2011.
Lafaiete Junior
Por Lafaiete Júnior (@lafaietejunior)
Belo Horizonte/MG
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O melancólico álbum Sol no escuro, que Fabio Góes lançou em 2007, já demonstrava um compositor com certo cuidado e preocupação em entregar um produto bem acabado ao ouvinte. Transitando por caminhos entre a MPB e até alguns ecos de Radiohead, com letras e melodias introspectivas e melancólicas, Góes não pedia atenção. Sol no escuro chamava atenção por sí só. Pelo seu valor enquanto obra singular naquele ano.
Cortamos para 2011 e eis que Fabio Góes tira um novo álbum da manga, O destino vestido de noiva, em que vai contra o caminho que poderia parecer mais certo (e fácil) para um segundo trabalho. O disco de agora vai para um lado talvez oposto ao anterior e Góes chega com uma veia bem mais pop, sem perder o esmero tanto em termos de composição quanto nos detalhes de gravação e produção. Agora as canções estão mais abertas, mais “para fora”, por assim dizer. Diferente do primeiro trabalho, em que são mais contidas, introspectivas.
Os temas das canções continuam dentro do universo urbano, em que os personagens amam, sentem medo e buscam a felicidade, seja sob uma perspectiva local (“A rua”) ou global (“Fugindo”). A vida a dois que, com o tempo e a rotina, pode perder parte do encanto, é percebida em “A escolha” - ainda assim há esperanças, segundo a canção. Até o caos do trânsito em uma metrópole pode ser simbolizado na instrumental “Incenso” e suas fagulhas de Explosions In The Sky. Em resumo, O destino vestido de noiva é um disco urbano que apresenta ao ouvinte personagens do cotidiano sob um olhar poético, singelo.
O álbum leva produção do próprio Fabio Góes, que também assume todos os instrumentos em parte das canções. Ainda assim, apesar do trabalho de produtor aparentemente solitário, o músico conta com participações de Curumin, Luísa Maita e do onipresente Kassin. Góes é compositor e produtor musical de comerciais e filmes, o que talvez explique a produção caprichada e detalhista de O destino vestido de noiva. Isso tudo unido com uma sensibilidade artística que, mesmo com toda a técnica envolvida, deve ser o norte para qualquer trabalho do tipo. E aqui isto é perceptível.
Gabriel Rezende Mota
Por Gabriel Rezende Mota (@gabrielrmota)
Goiânia/GO
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“O Destino Vestido de Noiva” é um daqueles CDs surpreendentes, que viciam já na primeira música. Introspectivo na maior parte do tempo, como o seu antecessor, o álbum continua a dar destaque a este lado mais “calmo” de Fabio Góes.
Não por isso, temos um punhado de músicas mais animadas, ótimas para tardes de sábado com os amigos em casa. “Domingo e As Plantas”, “A Rua” e “Tão Alto e Fora do Lugar” (extremamente viciante) se destacam neste quesito.
Comparações com o CD anterior não são válidas. É nítido o crescimento das letras e melodias neste novo trabalho. “Frágil” e “Amor na Pele” continuam a falar sobre relacionamentos e um pouco de solidão, porém, as melodias parecem estar mais completas, mais consistentes com a letra de cada canção.
Pode-se chamar de amadurecimento? Talvez. Talvez porque desde o lançamento de “Sol no Escuro” até aqui, Fabio constituiu família e filho. Essa maturidade pessoal se reflete então nas novas músicas, com destaque especial para “E o Amor Que Não Cabe Mais”, justamente por falar de filhos. É uma música linda e emocionante.
Tão emocionante quanto “A Escolha” – que com certeza é um dos maiores destaques do álbum – e “Sonho”, que parece ter sido gravada em algum ambiente externo. Os sons de pássaros durante a gravação da faixa transmitem uma paz incrível.
E é assim, passeando por canções românticas e bem produzidas, que “O Destino Vestido de Noiva” chega para, com certeza, ser um dos melhores achados do ano na música nacional. Fabio Góes segue se destacando pelo talento e a qualidade de suas criações, únicas e que não podem ser encaixadas em qualquer lugar do cenário musical brasileiro.
Bia Prata
Por Bia Prata (@tickibera)
Belo Horizonte/MG
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Conheci o trabalho de Fabio Góes em 2008, quando a série brasileira “Alice” foi lançada. Encantei-me não só com a sua voz, mas também com o agradável som que os instrumentos exalavam em “Sol no Escuro”. A personalidade musical do compositor é notável. Cada nota, cada melodia é trabalhada como se fosse única. Após quatro anos do lançamento do primeiro CD, Fabio Góes nos presenteia novamente, agora com “O destino vestido de noiva”.
Com 12 faixas e participações especiais de Curumin e Luísa Maita, o disco traz “Tão alto e fora do lugar” como single de apresentação, “Domingo e as plantas”, “A rua”, “Fugindo”, “Incenso”, “A escolha”, “Na pele”, “Sonho” e “Amor na lanterna”. Destaque para: “Nossa casa” (e um vento frio uivando/ num fio de janela/ e o som da cidade bombando/ do quarto sem ela), ”Frágil” (e mesmo que um suspiro venha me lembrar / que um dia o meu suspiro era o seu olhar), “E o amor que não cabe mais” (novo amor / tanto amor/ e o amor que não cabe mais / somos todos filhos do amor)
A música brasileira ainda precisa muito dessa qualidade e entusiasmo. “O destino vestido de noiva”’ é como um bom vinho: uvas selecionadas, rótulo desenhado em traços perfeitos e um sabor estampado de desejo e luz; à sua total escolha. Delicadamente romântico e intimista, com uma leve pitada de rebeldia. Até o coração mais ácido vai se apaixonar. Recomendo e aguardo ansiosa o lançamento!
Amanda de Almeida
Por Amanda de Almeida (@iMandiMoraes)
Mogi das Cruzes/SP
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Quando começou todo zumzumzum em torno do lançamento do novo disco de Fabio Góes, de imediato me encantei pelo nome: “O Destino Vestido de Noiva”. De repente, a minha imaginação começou a voar com essa combinação nada aleatória de palavras. Uma mistura de expectativa com o inesperado.
As palavras e suas diferentes combinações têm esse estranho efeito em mim. Aliás, em se tratando de música, gosto de sintetizar um diálogo do filme “Letra e Música”: música é atração, sedução. Letra é quando você começa a aprofundar o relacionamento e conhecer melhor o outro.
O processo de conhecer “O Destino Vestido de Noiva” foi bem assim. Comecei atraída e seduzida pelas músicas, até conhecê-las melhor. Estamos em um relacionamento recente, mas sério, como diria um status no Facebook.
Coincidência ou não, cada uma das músicas parece descrever uma face diferente da vida, de um romance. É uma colagem de memórias, um álbum de muitas fotos, esse destino vestido de noiva.
Fabio Góes nos leva a um passeio por uma poesia que desperta em nós a nossa própria poesia. Quando a gente sabe que acabou, mas fica congelado em “Tão Alto e Fora do Lugar”. Ou a esperança do retorno de quem você ama, sabendo que mesmo com as plantas morrendo, você deixa a mesa posta em “Nossa Casa”.
São lembranças de outros tempos, hoje tão distantes, em “A Rua”. “Fugindo”, a gente não sabe se é para rir ou chorar, nem quando vai voltar. “Frágil”, todos nós somos, mas como expor isso? Melhor esconder. Ou fazer disso versos de música.
Então, “E o Amor que Não Cabe Mais” traz esperança… Aquele susto que vai virar piada um dia… Amor que não cabe e não acaba mais, o amor por um filho.
“O Destino Vestido de Noiva” tem isso tudo e muito mais. Ele começa com a sedução da música e propõe uma trajetória longa e repleta de emoções. Como nas melhores histórias, sejam elas de amor ou não.
Júlio Rennó
Por Júlio Rennó (@outroscriticos)
Recife/PE
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A música é um bicho traiçoeiro que nos acossa por todos os lados. Dito isso, Sol no escuro (2007), ainda morde lentamente os meus pés. Que fazer? Ir ao próximo passo, talvez. O destino vestido de noiva (2011), procura calmamente por esses novos passos, cada vez mais urbanos, caóticos, musicais. Enquanto o primeiro álbum quereria se banhar na escuridão dos homens, iluminar um pouco de suas aflições. Pois o que dizer de: “Eu ouso apagar o sol / colocá-lo num escuro tão profundo”? Nada, simplesmente ouvir a música. Agora, no novo álbum, menos solidão, mais procura. Há um quê de dança nessas novas canções, um balanço pequeno. Automático, dança de metrópole. Se é que me entendem. Portanto, da solidão à procura, um destino par, o outro. A quem procurar? Por que procurar? São as perguntas invisíveis do disco. “Mais eco, mais retorno”, grita Tim Maia; “Mais voz, mais piano”, eu grito, pois são os pontos altos do disco, principalmente em Frágil (faixa 06).
E as letras, sim, as letras. A tradição da música popular brasileira também é um monstro que nos acossa. Por isso, quanto mais se evitar a grande sacada em letra, e se apostar cada vez mais numa voz própria, num texto para a sua música, mais bem sucedido será o compositor, e é isso que de certa forma fazem Jair Naves, os parceiros de Romulo Fróes, Tiê, entre outros. Portanto, em Sonho (faixa 11), temos o mínimo de tempo, instrumentos, letra e o máximo de intensidade; emoção que também nos acossa, assim como os sons estranhos que habitam essa faixa. Estarão vindo de lá, da música? Estão ao nosso redor? Pássaros, pessoas, ruídos? Sonho: esse é novo disco de Fabio Góes.
Cleber Facchi
Por Cleber Facchi (@cleberfacchi)
Ponta Grossa/PR
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Foram raros os que deram devido valor ao primeiro trabalho solo do músico, compositor e produtor musical Fabio Góes na época de seu lançamento. Feito um indivíduo vindo dos subúrbios, reconhecido por poucos, mas que busca por um merecido posto no panteão de nomes que figuram no topo de uma grande metrópole, o músico lentamente teve seu melancólico Sol no Escuro (2007) sendo absorvido e compreendido por seus parcos ouvintes. Percorrendo em indicações sussurradas, blogs ou veículos de comunicação menores, o delicado registro aos poucos ganhou força, cresceu e acabou acolhido por mais um sem número de admiradores, figurando de maneira justa entre os melhores álbuns da última década.
Quatro anos mais tarde, Góes retorna, desta vez melhor familiarizado com o cenário que aos poucos soube o absorver, propondo mais uma trama suave de canções, construída com a mesma peculiaridade rítmica que ressaltou em seu primo álbum. Menos denso que o debut de 2007, O Destino Vestido de Noiva (2011) retrata um artista ainda mais habituado aos sons e temáticas que trouxe em sua inicial obra, mantendo as mesmas climatizações e a mesma fluência proposta, porém, trazendo um novo catálogo de possibilidades instrumentais e poéticas a serem desenvolvidas com o mesmo empenho que o da estreia.
Se no primeiro álbum de Góes a metrópole se transformava na grande musa do artista, pontuando com suas cores cinzas os versos e as sensações propostas nas faixas, em seu segundo trabalho o mesmo indivíduo que um dia resolveu se entregar/integrar à cidade, agora se afasta dela. Embora a tonalidade sombria do músico - ressaltada tanto em sua voz, quanto principalmente em suas melodias – ainda se manifeste em grande parte das 12 composições do álbum, os rumos parecem ser outros. O colosso de prédios, bairros centrais e todos os personagens de outrora lentamente se afastam, com Fabio quase descrevendo o que encontra nos princípios de sua mudança.
A sensação constante de “adeus” e a nostalgia que percorre o disco vai aos poucos moldando canções como Nossa Casa, em que versos como “A porta acostumou te ver passar/ O espelho acostumou com seu olhar/ Com seu sorriso na nossa casa” vão se derramando em meio aos arranjos sorumbáticos do instrumental de Góes. “Só penso em correr, fugir/ Poder descansar no fim... Eu vou me refazer com os pés descalços”, canta ele em Frágil, sempre repassando a mesma temática de partida, algo que se repete ainda em Fugindo (“não sei quando vou voltar/ já fui de novo”), mais uma vez apontando essa busca por novos territórios, sejam eles físicos ou emocionais.
Mesmo que ainda exista uma constante ligação com a música brasileira, algo que vinha desde o primeiro disco em pérolas como Mundo Acumulado e Automático, em seu segundo trabalho o produtor cerca-se por uma grandiosidade instrumental que ressalta todas as predisposições aos sons do Post-Rock, algo já bastante ocupado em sua estreia. Não é preciso nem a instrumental Incenso (uma das mais belas do álbum) para observar tal formatação no registro. Nossa Casa, A Escolha (lembrando muito o Explosions In The Sky do disco The Earth Is Not a Cold Dead Place) ou Frágil se aprofundam na criação de melodias mais amplas, sempre organizadas de maneira crescente e pontuada por uma coleção de instrumentos, inviabilizando a construção de algo que soe de forma simplista.
Há entretanto composições que demonstrem o caráter mais “acessível” do trabalho, ou que carregue certo tempero brasileiro, quebrando uma lógica única do álbum. A Rua é uma dessas canções, com Góes - acompanhado por Dudinha, Curumin e Luiz “LQ” Mattos no coro de vocais – movimentando uma sonoridade suingada. Da ampla escolha por novos formatos, o músico acaba adentrando terrenos diferenciados, como na curtinha Sonho, conduzida unicamente pela voz e pelo piano do músico, em que através dos ruídos e da captação de sons ambientais transfere um caráter de “lo-fi” ao curto exemplar.
Se em Sol no Escuro a boa repercussão da faixa Sem Mentira (destaque através da série Alice, exibida pela HBO) foi um dos elementos responsáveis por apresentar o trabalho de Fabio Góes, destacando-se como a composição mais radiofônica do disco, para O Destino Vestido de Noiva o músico não produz apenas uma, mas uma série de pequenos concentrados de música “pop”. Da condução despojada da faixa de abertura, Tão Alto e Fora de Lugar, passando pelas convidativas Domingo e as Plantas, A Rua ou Amor na Lanterna (com a cantora Luísa Maita), tudo se apresenta de maneira a fisgar o ouvinte. Até nos momentos mais intimistas e sofridos da obra, como nas já mencionadas Frágil e Nossa Casa, a maneira agradável e melódica é o que dá destaque às composições.
O novo álbum de Góes parece começar exatamente de onde parou seu último registro. Como se fosse natural após nos depararmos com a comicidade da faixa Salmão adentrarmos a grandiosidade da atual Tão Alto e Fora de Lugar. Mesmo que o álbum perca por não retratar a mesma vastidão de ritmos encontradas no projeto de 2007 – que brincava com o jazz, hip-hop, samba e os mais variados estilos - O Destino Vestido de Noiva ganha pela continuidade de sua obra, a concisão que percorre cada uma das faixas e o instrumental ainda mais surpreendente do trabalho. Se antes a obra de Fábio Góes era repassada em forma de sussurros, agora ela deve ser anunciada de maneira estrondosa, condizendo com a grandiosidade exposta em cada canto do trabalho.
Fernando Calderón (en español)
Por Fernando Calderón (@nandocalderon83)
Buenos Aires/Argentina
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El material del joven músico / cantautor saldrá a mediados de junio.
Luego del éxito de su primer disco en la movida paulistana, 4 años después el cantante/compositor vuelve con material inédito.
Góes esta vez se aleja lo suficiente del sonido de su primer disco, mas conservando gran parte de elementos que lo comienzan a incluir dentro de mis cantantes predilectos contemporáneos de la escena paulista.
La voz armoniosa del cantante va de la mano de ritmos suaves y acordes dulces, que al igual que en su primera obra otorgan un amplio valor emotivo a los temas.
Podríamos decir que el disco tiene 3 perfiles: Uno con temas mucho más introspectivos, como “Nossa Casa” –donde a su vez hace una colaboración con Curumim-, “Fugindo”, “Fragil”, “Na pele”, entre otros, que podrían representar tal vez el gran logros del disco, en donde el artista consigue exponer al máximo lo que consideramos el estilo propio del mismo: Evocar melancolía en el público.
Otro donde los ritmos más cercanos al pop / rock contemporáneo como “Tâo alto e fora de lugar”, “Rua”, “É o amor que nâo cabe mais”, entre otros. A su vez, dentro de estos, otra de las cosas que nos llamó la atención en este disco es que Góes ahora toma más riesgos al realizar fusiones, en este caso de ritmos brasileños tradicionales –el uso del cavaquinho- y la métrica del bossa nova, con beats electrónicos y ritmos propios del pop rock.
De esta misma manera, temas como “A escolha” y el instrumental “Incenso” parecieran relacionar la música de Góes con propuestas Indies europeas, como The Radio Dept, serían parte del tercer perfil de este rico album.
En líneas generales, el nuevo disco de Fabio Góes es una propuesta muy interesante. El músico propone a través de sus canciones una sensación de intimidad con el público que es muy poco común en la música contemporánea, lo que le da a su vez la característica de genuinidad, por lo que creemos que será uno de los lanzamientos más importantes del año.
Marco Antonio Gonçalves
Por Marco Antonio Gonçalves
São Paulo/SP
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Desde o lançamento de Sol no Escuro, em 2007, que aguardo ansiosamente o novo trabalho de Fabio Góes. Afinal, o disco de estreia deste talentoso músico, compositor e produtor paulistano rendeu um dos melhores registros da música brasileira nos últimos anos. Faixas como “Mundo Acumulado”, “Surfista” ou “Lembranças”, por exemplo, são canções que tem prazo de validade de uma vida inteira. Passados 4 anos – e agora com família e um filho nas costas – Góes finalmente nos brinda com O Destino Vestido de Noiva, seu segundo rebento discográfico que, segundo o próprio, é “bastante menos introspectivo, menos melancólico, menos lento e menos hermético” que o play anterior. Será mesmo?
Não por acaso, essa renovada estética sonora torna-se perceptível já na faixa de abertura “Tão Alto e Fora do Lugar”, dando a deixa de uma pegada pop de calibre poderoso: “Quis reparar, mas acho que eu só soterrei o que não sorria mais / Vim te contar, mas por um suspiro eu fiquei e nada em mim mexia mais…” diz a letra, que escancara a estilosa veia poética de Góes. Dentro da proposta de soar mais alegre aos ouvidos alheios, “A Rua” segue a trilha de uma bela melodia, numa levada samba-rock com direito a coral ao fundo e uma cama sonora onde órgão, cavaco, guitarra e violão se incorporam à bateria eletrônica pilotada pelo amigo Curumim, que também canta alguns versos.
Mais experiente e com o faro apurado, Góes utiliza de todos os seus artifícios de multiinstrumentista tocando piano, órgão, sintetizador, guitarra, baixo, violão, cavaco, batera, percussão e o que mais lhe der na veneta, e ainda manda ver nas programações, criando texturas e camadas eletrônicas envolventes. Em temas como “Domingo e as Plantas” e “E o Amor que não Cabe Mais” ele toca todos os instrumentos sozinho; já em faixas como “Nossa Casa”, “Incenso” e “A Escolha”, recorre ao auxílio luxuoso do guitarrista Luiz “LQ” Mattos (que também assina a co-produção do álbum). Ainda rolam colaborações de Dudinha Lima (baixo), Ed Côrtes (clarinete) e Alexandre Grooves (percussão), entre outros.
Utilizando-se de mais guitarras e baterias programadas do que no álbum anterior, Góes mantém as texturas e malhas sônicas em plena atividade como mostra a faixa “Fugindo”, onde violões, sintetizadores e clarinete dividem os arranjos de forma irrepreensível. Aqui, nova participação especial do baterista Curumim e também do produtor, compositor e músico carioca Alexandre Kassin no baixo.
Na seqüência temos a leveza da balada “Frágil”, de beleza melódica e versos românticos (“Longe de mim, ser frágil assim / Só penso em correr, fugir / Ou de descansar no fim / O som do seu beijo / Eu vou me refazer com os pés descalços / Sabendo que do chão eu nunca passo / E nada passará…”). “Na pele” é outra pérola musical, com instrumental bacanérrimo e clara referência ao Clube da Esquina (“De arrepiar / Dessa vez eu vou estar na pele / De um cavaleiro dessa esquina”), forte influência na trajetória de Góes. Tem ainda a onírica “Sonho”, só com vocal e piano, em momento Arnaldo Baptista total.
O final apoteótico está na vibrante “Amor na Lanterna”, com participações de Kassin (baixo e guitarra), Curumin (batera) e a bela voz da cantora Luísa Maita, que acompanha a de Góes em versos de extrema sensibilidade que decretam que “Sentado aos 33 / Eu não enxergo a previsão / Mas toco o plano em frente / Pro meu destino eu estendo a mão…” Pegando carona na letra alto astral, digo só uma coisa: eu não era de me emocionar tanto, mas depois dessa música eu sinto menos chão… que bela canção!
Se for levar em conta que o segundo disco é sempre um grande desafio para os artistas – ainda mais quando a estreia tem o espectro do climático, melancólico e sensacional Sol no Escuro – posso dizer que no caso de Fabio Góes, ele tirou essa de letra, vencendo a peleja com sobras. E se as influências e associações sônicas vão de Clube da Esquina a Guilherme Arantes, de Coldplay a Radiohead, de TV on the Radio a Grizzly Bear, o fato é que cada vez mais Fabio Góes expõe a sua identidade musical autônoma, de brilho próprio. Uma verve artística que é sinônimo de música bem feita e de bom gosto.


